À medida que empresas ampliam compromissos climáticos e metas de descarbonização, cresce também a exigência sobre a qualidade das evidências que sustentam essas declarações.
A discussão sobre sustentabilidade no setor elétrico amadureceu.
Durante muito tempo, a contratação de energia de fonte renovável foi tratada como sinal suficiente de compromisso ambiental. Hoje, isso já não basta.
Empresas precisam demonstrar origem, rastreabilidade, critérios de contabilização e consistência das informações utilizadas em inventários de emissões e reportes corporativos.
Essa mudança é particularmente relevante para o Escopo 2, que reúne as emissões indiretas associadas à energia elétrica adquirida. Organizações como Caixa e BNDES já publicam inventários separando a abordagem de localização da abordagem de escolha de compra e utilizam certificados de energia renovável, como I-REC, para comprovar a origem da energia contratada.
O que muda para as empresas
O ponto central deixa de ser apenas “comprar energia renovável” e passa a ser provar, com evidências adequadas, como essa energia foi considerada nos indicadores ambientais da organização.
Isso exige coerência entre contrato de energia, certificados, período de consumo, metodologia do inventário e documentação que sustenta o reporte.
Em outras palavras, sustentabilidade passa a depender cada vez mais de governança da informação.
A própria ANEEL estruturou sua política ESG e definiu 13 temas materiais para o biênio 2026/2027, reforçando a incorporação de critérios ambientais, sociais e de governança às práticas institucionais do setor.
Energia renovável não encerra a análise
Outro ponto importante é que a origem renovável da energia não elimina, por si só, todas as discussões de sustentabilidade.
A matriz, o perfil de consumo, a forma de contratação, os atributos ambientais associados à energia e a qualidade das evidências utilizadas no reporte precisam estar alinhados.
Isso ganha ainda mais relevância em um mercado livre em expansão. Em julho de 2026, o ACL já respondia por 46,6% do consumo nacional de eletricidade, e o número de consumidores livres cresceu 19,7% em relação ao mesmo mês de 2025.
Quanto maior a liberdade de contratação, maior também a responsabilidade sobre a forma como essas escolhas são registradas e comunicadas.
Sustentabilidade também é compliance
A evolução do tema aproxima sustentabilidade de áreas como compliance, auditoria e governança.
Não basta possuir um indicador ambiental. É preciso saber qual dado o originou, qual metodologia foi utilizada, qual documento o comprova e se existe consistência entre o que foi contratado, consumido e reportado.
É nesse ponto que a agenda ESG deixa de ser apenas reputacional e passa a integrar o ambiente de controles da organização.
Em energia, a sustentabilidade começa na escolha da fonte, mas se sustenta na qualidade das evidências.
Acesse a LESUI360
0 comentários